Maria Keil

 

A artista plástica Maria Keil, autora das primeiras criações artísticas em azulejo na rede do Metropolitano de Lisboa (Metro), faleceu ontem, aos 97 anos.

Com o falecimento de Maria Keil, o Metro considera que desapareceu uma figura de referência da história do Metro que em muito enalteceu a imagem da Empresa. Keil merece, assim, toda a nossa homenagem como pioneira da arte de trabalhar o azulejo no Metro, tendo executado um trabalho de excelente qualidade, capaz de transformar o Metro num exemplo paradigmático no domínio do tratamento dos espaços públicos.

Durante as décadas de 50 e 60, Maria Keil dedicou-se especialmente ao azulejo, tendo-se proposto trabalhar gratuitamente a decoração azulejar de todas as estações do Metro, inaugurado em finais de 1959. Segundo a artista, a ideia de trabalhar o azulejo no Metro surgiu em parte por “amor ao marido” – o Arquitecto Keil do Amaral, mas também em resposta aos condicionalismos económicos da altura.    

Todas as onze estações iniciais inauguradas em dezembro de 1959, com exceção da estação Avenida, tinham revestimentos da autoria de Maria Keil que, por ordem de Oliveira Salazar e do Conselho de Administração do Metro da altura,  os azulejos não podiam ser figurativos, daí ter optado pelo abstrato. Em 2009, a artista abraça mais uma vez o desafio de trabalhar uma estação de Metro na extensão da estação de S. Sebastião (linha Vermelha), para a qual fizera os primeiros painéis, em 1959. A criação artística desta estação foi um dos últimos trabalhos de Maria Keil, constituindo parte das 21 intervenções desta artista na rede de Metro de Lisboa.

 A Maria Keil o nosso muito obrigado, pelo legado artístico e pelo contributo pioneiro e único que tão bem identifica as nossas estações.