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O Metro e a Cidade
  
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Estação Campo Grande
A estação Campo Grande abriu ao público em 1993, tendo sido a primeira estação do Metropolitano construida em viaduto. É uma estação de correspondência entre as linhas da Caravela (Campo Grande-Cais do Sodré) e do Girassol (Campo Grande-Rato), para além disso constitui também um importante interface com os transportes rodoviários. As instalações ferroviárias que lhe estão associadas incluem ainda um ramal de acesso ao Parque de Material e Oficinas de Calvanas. O projecto arquitectónico da estação é da autoria do Arq.º Ezequiel Nicolau e a intervenção plástica de Eduardo Nery.
 
No espaço interior da estação e dentro de uma linha que reflecte o seu percurso artístico, Eduardo Nery vai conceber uma decoração baseada em figuras típicas da azulejaria do século XVIII, as "figuras de convite", que habitualmente eram colocadas à entrada, nos vestíbulos e escadarias dos grandes edíficios da época, numa atitude de boas-vindas. Eduardo Nery vai transpor estas figuras tradicionais de boas-vindas para este espaço, propondo uma junção entre o tradicional e o contemporâneo. Nas próprias palavras do artista "...este jogo dialéctico entre modernidade e tradição azulejar corresponde, por um lado, a uma reflexão sobre a azulejaria figurativa do século XVIII e, por outro, a uma re-criação, algo surrealizante, da pintura sobre azulejo desse período."
 
Com efeito as quatro figuras, duas femininas e duas masculinas, vão ser desmontadas e novamente compostas, aproveitando a quadrícula própria do azulejo, numa representação totalmente inovadora, com um resultado surpreendente e divertido. A sua experiência artística com os conceitos da Op Art, fazem desta composição uma excelente aplicação da simulação óptica. É possível que Eduardo Nery tenha tido em conta, quando pensou nas figuras de convite, os magníficos exemplares da Quinta dos Arcebispos em Santo Antão do Tojal, e do Palácio Pimenta, locais a que esta estação confere acessibilidade, na lógica de que os locais podem inspirar os artistas quando se trata de arte pública.
 
No espaço exterior e atendendo que o nó ferroviário se desenvolve sobre o Campo Grande, provocando impactos ambientais, o artista vai mais uma vez pôr em prática os seus conhecimentos com a arte da ilusão de óptica, com o objectivo de minorar os eventuais efeitos negativos. Assim, vai colocar ao longo dos viadutos painéis acústicos de betão, adornados com linhas oblíquas, que dinamizam e atenuam o efeito de barreira destas estruturas. Nos pilares de suporte dos viadutos, com uma paleta de cores em gradação, coloca, com efeitos geometrizantes, barras de azulejos que acentuam a verticalidade.
 
Bibliografia:
Castel-Branco Pereira, João, Arte Metropolitano de Lisboa
Edição Metropolitano de Lisboa EP, 1995.
Fotografia:Alberto Plácido.
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