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| Um museu na sua viagem |
Desde a construção das suas primeiras estações na década de cinquenta, que a preocupação em dotar os espaços públicos de condições estéticas que amenizem os efeitos negativos de um ambiente subterrâneo, tem sido uma constante no Metropolitano de Lisboa.
A primeira geração de estações tem como ponto de referência, a nível da concepção arquitectónica e plástica, os nomes do Arq.º Keil do Amaral e da pintora Maria Keil que, perante os condicionalismos económicos da época, executaram um trabalho de excelente qualidade e transformaram o Metropolitano num exemplo paradigmático do tratamento dos espaços públicos. O Arq.º Keil do Amaral detinha já uma larga experiência na concepção destes espaços bem como de instalações para operadores de transportes, foi de sua autoria o projecto do edifício da aerogare do Aeroporto da Portela, em Lisboa. Para o Metropolitano elaborou o projecto de estação-tipo, modelo que viria a ser utilizado com poucas modificações até 1972, quando se completou a extensão a Alvalade.
Todas as onze estações iniciais inauguradas em Dezembro de 1959, com excepção da estação Avenida, tinham revestimentos da autoria de Maria Keil que, de acordo com orientações expressas do Conselho de Administração, não deveria utilizar no seu trabalho motivos figurativos. A preocupação de dotar os espaços públicos com revestimentos de qualidade deve-se à acção do Presidente do Metropolitano de então, Eng.º Francisco de Mello e Castro, numa atitude precursora demonstrando uma clara compreensão de como devem ser geridos espaços públicos, mesmo numa época de orçamentos reduzidos.
Em 1988, com a inauguração das extensões Sete Rios-Colégio Militar e Entrecampos-Cidade Universitária surge uma segunda geração de estações e graças à acção do então Presidente do Conselho de Gerência, Dr. Pestana Bastos, foi retomada a intenção original de dotar os espaços públicos deste meio de transporte com intervenções de artistas contemporâneos de renome. Para esse efeito foram então convidados quatro artistas plásticos, Rolando Sá Nogueira, Júlio Pomar, Manuel Cargaleiro e Maria Helena Vieira da Silva, cujas obras enriquecem hoje, respectivamente, as estações Laranjeiras, Alto dos Moinhos, Colégio Militar e Cidade Universitária.
Em 1990 é aprovado o Plano de Expansão da Rede que se desenvolverá até 1999. Na presidência do Metropolitano de Lisboa encontrava-se então o Eng.º Consiglieri Pedroso, cujo mandato marcou indelevelmente a expansão da Empresa, sendo de realçar, entre outros aspectos, os que se ligam ao incremento e dinamização da vertente cultural e artística. A construção de novas infraestruturas para serviço público não mais poderá deixar de ter em consideração a sua vertente socio-cultural. A dimensão estética é indispensável, não numa opção do estético pelo estético, mas como motor de vitalização artístico-cultural, não perdendo de vista que o embelezamento e a animação dos espaços públicos constituem um meio de dissuasão contra o vandalismo e a violência, contribuindo-se assim para a melhoria da qualidade de vida na cidade.
O investimento na componente artística dos espaços públicos que se encontram sob a responsabilidade do Metropolitano de Lisboa é assim, inequivocamente, um acto de gestão e rentabilização da empresa.
Aliada a esta orientação interna há também a assinalar duas outras acções, a saber:- Foi desenvolvida uma política de intercâmbio cultural entre redes de Metropolitanos, tendo como pano de fundo e factor de interligação o organismo internacional a que o Metropolitano de Lisboa pertence, a União Internacional de Transportes Públicos (UITP). Os pressupostos principais desta política assentam numa troca de trabalhos plásticos, tendo o Metropolitano recebido diversas obras e, por sua vez, oferecido também diversos trabalhos de autores portugueses, que têm prestigiado o nome de Portugal, da sua Cultura e Artes Plásticas em diversos pontos do globo.
- Foram feitas ofertas de obras de arte à cidade, para valorização do seu património cultural, ofertas essas ligadas a datas e momentos importantes na vida do Metropolitano de Lisboa, como o foram as comemorações do seu 30º aniversário e o marco que constituiu a chegada deste meio de transporte à zona ribeirinha do Cais do Sodré e da Ribeira das Naus.
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