O Metro celebra o Dia Mundial do Cinema e convida todos amantes da sétima arte a marcar presença na estação Cais do Sodré, para assistir a uma sessão de cinema composta por curtas metragens portuguesas sobre o Metro, escolhidas pela programadora Mia Tomé.

(…) e quantas vezes já vimos o metro como seu protagonista? Como personagem, figurante, como objecto rotineiro de segundo plano? Foi esse o mote para escolher estes três filmes que propus.
A azáfama da capital Lisboeta que pode intimidar uma pequena adolescente, uma curta viagem entre duas estações de metro em Berlim e uma outra viagem, menos literal pela cidade de Nova Iorque de 1991. João Rosas, Jorge Quintela e Paulo Abreu, são os autores que escolhi e que tropeçaram nesta ideia de transporte, de movimento, de passagem. Acima de tudo, foquei a minha escolha na palavra Viajar. Andar de metro já me propôs mais histórias do que atravessar o atlântico: sestas fatais não despertadas a tempo, passeios entre pensamentos onde questiono a rotina, encontros no sentido contrário da linha, auxílios fundamentais, despedidas de domingo à noite e a ansiedade de querer chegar.
O cinema é um mundo, mas o tubo subterrâneo às vezes também: as carruagens são lugares habitados, somos tantos, de tantos sítios, de tantos lugares, com tantos percursos diferentes.
São três filmes Portugueses que viajam e que fazem viajar.

Mia Tomé

Programadora

Estação:
Cais do Sodré (linha Verde)
Zona não paga

Data: 5 de novembro

Horário:
21h

Programação

NYC 1991
Paulo Abreu, 1996

“NYC 1991” é um filme construído a partir de filmagens em Super8, realizadas em Nova Iorque em 1991 (tal como se pode adivinhar pelo título), e montadas muito recentemente com a inclusão de “Dirty Windows” de Lee Ranaldo. As imagens têm a patine que a própria tecnologia implica, um meio relativamente pobre, mas sobejamente conhecido por ser também facilitador de bons resultados estéticos, somada à que advém de um desfasamento de 25 anos. Tal como Lee Ranaldo, Paulo Abreu tem uma visão pessoal da América, das imagens que o surpreendem e nos surpreendem, apesar de tudo, como se a memória coletiva do cinema funcionasse num pathos do qual jamais se poderá desembaraçar. Mas, afinal, podemos ser continuamente surpreendidos pelo que guardamos dos sítios que visitamos, nem que seja através dos filmes. O diálogo com a poesia e música de Ranaldo coloca-nos perante diferentes camadas de perceção que se articulam sem se deixarem submeter, fugindo, dessa forma, ao mero exercício ilustrativo.

AUSSTIEG
Jorge Quintela, 2010

Um filme de bolso num comboio entre duas estações em Berlim.

ENTRECAMPOS
João Rosas, 2012

Mariana tem 11 anos e acabou de se mudar de Serpa para Lisboa com o pai. Os primeiros dias na cidade são passados a arrumar a casa e a conhecer o novo bairro, Entrecampos. Após o primeiro dia de aulas, Mariana perde-se a voltar para casa da escola e tem de telefonar ao pai a pedir ajuda. No dia seguinte, trava amizade com um rapaz da sua turma, Nicolau, e o irmão deste, Simão, mais velho. Os dois irmãos convidam Mariana para lanchar e ajudam-na a chegar a casa.