Arte
Entre Campos
Espaço Informação Aeroporto: dias 29, 30 de julho, 2 e 3 de agosto encontra-se encerrado.
Espaço Informação Aeroporto: dias 4 e 6 de agosto encerra às 14h00.

Entre Campos

O padrão adotado nesta estação por Maria Keil para o revestimento em azulejos tem como fundo uma harmonia de cores quentes que vão do amarelo ao vermelho, marcados aqui e além por pequenos grupos de azulejos de fundo verde claro. Sobre os azulejos inscrevem-se figuras geométricas, circunferências e quadrados com diagonais cruzadas, em agrupamentos variados que vão de um a quatro azulejos.

Em 1993, foi a primeira estação a beneficiar de obras de remodelação, tendo sido Bartolomeu Cid dos Santos o artista convidado para animar plasticamente e o escultor José Santa Bárbara para o tratamento da zona de ligação com o interface com a CP.

Bartolomeu Cid dos Santos, pintor e gravador, professor na Slade School of Arts, nome reputado no panorama internacional das artes plásticas, para este local, atendendo que é a estação da Biblioteca Nacional, inspirou-se nas Letras Portuguesas. O programa plástico centra-se num grande painel situado no átrio Sul, utilizando ácido e buril, numa técnica mista por ele desenvolvida e cria uma biblioteca em pedra com títulos da Idade Média aos nossos dias, representativa da evolução da nossa Literatura. No centro do painel, um círculo que nos sugere a ideia de universalidade das letras, o – mundo de Cultura – para onde Bartolomeu convidou os nomes mais representativos da literatura actual a deixarem marcada na pedra as suas assinaturas.

Quis o artista que toda esta composição sugerisse uma atitude de dinâmica cultural e intensa vivência, por isso incluiu alguns objetos decorativos, uma jarra com flores, uma moldura com o seu autorretrato e, inclusivamente, a seleção das suas obras preferidas (canto inferior esquerdo) que inclui “Os Lusíadas” de Camões e a “Ode Marítima” de Álvaro de Campos, que irá desenvolver em sequências de imagens nas duas plataformas da estação, numa atitude de convite à leitura.

Neste caminho, do átrio das bilheteiras até aos cais de embarque, desenrola-se uma sequência de motivos vegetalistas e marinhos, que funcionam como introdução para o desenrolar dos dois poemas preferidos de Bartolomeu. Tutelando cada poema e poeta, uma musa inspiradora representada em primeiro plano, acompanhada por uma citação do próprio poeta que tutelam. Na plataforma Poente, o tema é “Os Lusíadas” de Camões. Na plataforma Nascente, a Ode Marítima de Fernando Pessoa.

Unindo as duas plataformas, encontra-se o maior painel da estação. Bartolomeu Cid dos Santos quis que este painel fosse uma homenagem ao grande pintor e gravador norte-americano Robert Motherwell, por quem tem grande admiração. No painel pode ler-se: “Importa saber que não se pode falar numa arte nacional; ser simplesmente um artista americano ou francês não significa coisa alguma. Não ser capaz de sair do seu primeiro meio artístico, é meio caminho para nunca atingir o Humano”, Motherwell define assim o conceito da universalidade da arte, que Bartolomeu subscreve.

Também nesta estação, na interface com a CP e da autoria de José Santa Bárbara, surge-nos uma original escultura-fonte que segundo as palavras do artista é “uma alegoria de água, luz e som, um ressuscitar da nossa herança árabe”, a presença da água, que segundo o artista, tem andado afastada do nosso quotidiano.

Arquitetura

Falcão e Cunha, 1959
Dinis Gomes, 1973
Sanchez Jorge, 1993

Arte

Maria Keil, 1959 e 1973
Bartolomeu Cid dos Santos, 1993
José de Santa Bárbara, 1993