Arte
Olivais

Olivais

Situada a 36 metros de profundidade esta estação é uma das mais profundas da rede. Em termos arquitetónicos a estação carateriza-se pela existência de um vasto átrio único que se situa a um nível relativamente próximo da superfície com a qual comunica por meio de quatro acessos dotados de escadas mecânicas e pedonais, neste átrio, para além das habituais instalações para aquisição e controlo de bilhetes, existe também uma zona comercial.

Sensivelmente a meio do átrio nascem quatro galerias, duas de cada lado, dotadas de escadas mecânicas e pedonais, para acesso aos cais. Dada a profundidade da estação e para evitar percursos demasiado longos existe ainda num dos topos dos cais um acesso através de uma ponte-varandim que permite a mudança de cais.

Os panéis de azulejos de revestimento dos cais de embarque são da autoria de Nuno de Siqueira, neles o artista pretende lembrar a participação portuguesa no desenvolvimento da modernidade que, segundo ele, se consubstancia na viagem de Vasco da Gama da qual se comemora agora o quinto centenário.

No seu trabalho Nuno de Siqueira faz uma utilização profusa de símbolos ligados à nossa História, citando o artista, pode ler-se:

“…. assim se assinalam como centrais as referências seguintes:

A presença constante dos sinais de adversidade inerentes à própria dialética da história e representada nos painéis pelo Cerberus, símbolo mitológico grego e guarda das Portas do Inferno.

A referência à constante histórica da guerra ou do espírito revolucionário inerente à história moderna e representada nos painéis por uma chamada ao extraordinário quadro de Delacroix…

A Torre de Belém, símbolo por excelência da época moderna.

A figuração das aparições de Fátima sobre um olival que a relaciona com o local da nova estação de metropolitano e que está ligada à própria presença berbere em Fátima para quem o local já era então Sagrado e que simboliza a síntese escatológica anunciada no chamado Segredo de Fátima que envolve de maneira particular a participação dos portugueses. Para tal se serviu o autor de muita informação documental existente no secretariado do respetivo Santuário.

Finalizando, lembro novamente a comemoração do V Centenário da Viagem de Vasco da Gama (1498-1998) como simbolizando toda a história moderna que “agora se acaba”. Assim, no último painel, sugeriu o autor uma saída de uma nave representativa dos modernos sputniks e da viagem à Lua transportando na sua frente como que a “Ponta de Sagres” estabelecendo a ligação do passado com a nova aventura a desenvolver, desde já, pelos séculos futuros. ”

Quanto aos aspetos técnicos, os painéis foram estudados para serem reproduzidos em azulejos de 20×20 cm, por processo mecânico directo (fotograficamente).

A intervenção plástica de Cecília de Sousa, tomou como tema o topónimo do local – Olivais. Após uma longa pesquisa que passou pelo contato direto com pessoas que aí moram há muitos anos, optou por uma intervenção escultórica e painéis cerâmicos onde faz uma alusão aos olivais. Com efeito, as esculturas colocadas no exterior e no átrio da estação, lembram na forma e na cor o passado rural deste local.

Uma das intervenções escultóricas faz uma ligação temática, entre a forma circular de uma mó de um lagar de azeite e uma roda, o componente principal de qualquer meio de transporte terrestre.

Arquitetura

Rui Cardim, 1998

Arte

Nuno de Siqueira, 1998
Cecília de Sousa, 1998