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Viver
Camões no Metro

Descubra os versos nas estações

Três estações do Metro acolhem excertos da obra de Luís de Camões que surgem integrados no espaço, convidando os passageiros a descobrir versos enquanto viajam no Metro de Lisboa.

Sobre a iniciativa

No âmbito das comemorações do V Centenário do nascimento de Luís de Camões, o Metropolitano de Lisboa promove uma iniciativa inédita que traz a poesia camoniana para o quotidiano de quem viaja na rede de metro.

Através de intervenções artísticas em estações selecionadas, os versos do poeta maior da língua portuguesa encontram um novo palco — o espaço subterrâneo da cidade —, criando uma ponte entre a cultura, a mobilidade e a vida urbana contemporânea.

Viagem, encontro e descoberta

Camões e o Metropolitano de Lisboa partilham uma ideia central: a viagem

Os Lusíadas é, antes de tudo, uma narrativa de viagem — a epopeia de um povo que se lançou ao mar para descobrir novos mundos. Essa mesma ideia de movimento, de percurso e de encontro está presente no acto quotidiano de viajar de metro.

A mobilidade urbana, tal como a viagem camoniana, é feita de partidas e chegadas, de trajectos que nos ligam a outros lugares e a outras pessoas. Ao integrar versos de Camões nas estações, o Metro de Lisboa transforma cada deslocação num pequeno acto cultural — um encontro inesperado com a poesia, no coração da cidade.

Nas estações Parque, Alto dos Moinhos e Entre Campos os painéis com excertos da obra camoniana convidam à pausa e à reflexão, recordando que a viagem — seja pelo oceano ou pelo subsolo de Lisboa — é sempre uma forma de descoberta.

Citações de Camões

Uma viagem pelas palavras de Luís de Camões — citações de Os Lusíadas e da  lírica camoniana, uma escolha de José Augusto Cardoso Bernardes.

“Agora, peregrino, vago e errante,
Vendo nações, linguagens e costumes,
Céus vários, qualidades diferentes… “

Canção X “Vinde cá, meu tão certo secretário”

“Bem puderas, ó Sol, da vista destes,
Teus raios apartar aquele dias,”

Os Lusíadas
(Canto III, 133)

“Mas quem pode livrar-se, porventura,
Dos laços que Amor arma brandamente”

Os Lusíadas ( Canto III, 142)

“Oh! Maldito o primeiro que, no mundo,
Nas ondas vela pôs em seco lenho!”

Os Lusíadas ( Canto IV, 102)

“Já que minha presença não te agrada
Que te custava ter-me neste engano,”

Os Lusíadas ( Canto V, 57)

“Grave e leda no gesto, e tão fermosa
Que se amansava o mar, de maravilha. “

Os Lusíadas (Canto VI, 21)

“A fortuna me traz peregrinando,”

Os Lusíadas ( Canto VII, 79)

“Amam somente mandos e riqueza,
Simulando justiça e integridade;”

Os Lusíadas (Canto IX, 28)

“Ser esta vida cousa tão pequena”

Os Lusíadas (IV, 79)

“Nosso amor, nosso vão contentamento,
Quereis que com as velas leve o vento?”

Os Lusíadas (IV, 91)

“– Ó glória de mandar, ó vã cobiça
Desta vaidade a quem chamamos Fama!”

Os Lusíadas (IV, 95)

“Chamam-te Fama e Glória soberana,
Nomes com quem se o povo néscio engana!”

Os Lusíadas (IV, 96)

“Buscas o incerto e incógnito perigo
Por que a Fama te exalte e te lisonje”

Os Lusíadas (IV, 101)

“No gosto da cobiça e na rudeza
Dũa austera, apagada e vil tristeza”

Os Lusíadas (X, 145)

“Que um fraco Rei faz fraca a forte gente.”

Os Lusíadas (Canto III, 138)

“Que alegria não pode ser tamanha
Que achar gente vizinha em terra estranha.”

Os Lusíadas (VII, 27)

“Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.”

Os Lusíadas (I, 2)

“Pode um desejo imenso
Arder no peito tanto”

Ode “Pode um desejo imenso”

“Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.”

Soneto “Alma minha gentil, que te partiste”

“De amor não vi senão breves enganos.”

Soneto “Erros meus, má fortuna, amor ardente”

“Transforma-se o amador na coisa amada,
Por virtude do muito imaginar;”

Soneto “Transforma-se o amador na coisa amada,”

“Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.”

Soneto “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”

Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve), as saudades.

Soneto “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”

De quanto tenho visto
Já agora não me espanto,

Canção VI, “Com força desusada”

“Amor é um fogo que arde sem se ver,
É ferida que dói, e não se sente;”

Soneto “Amor é um fogo, que arde sem se ver”

“Cá, onde o mal se afina e o bem se dana,
E pode mais que a honra a tirania;”

Soneto “Soneto “Cá nesta Babilónia, donde mana”

Sobre as comemorações

Luís de Camões é a figura mais agregadora da sociedade portuguesa. É património e faz parte da cultura viva.

O poeta torna-se familiar na Escola. Quando se tem entre 14 e 16 anos, decoram-se versos de sonetos e de redondilhas; fica-se a saber quem é Inês de Castro, o Velho do Restelo, o Adamastor.

Trava-se conhecimento com Baco, Vénus e outras entidades da mitologia latina, que o escritor reinventou.

Sonha-se com a ilha dos amores e vive-se a esperança universal numa Humanidade melhor, assente em afetos e valores.

As presentes comemorações promovidas pelo Estado português, retomam iniciativas que vêm ocorrendo regularmente, desde o século XIX. Através da Língua, que enobreceu, e de muitos indicadores de atualidade contidos na sua poesia, Camões converteu-se também em figura de referência para o Brasil e para os países que adotaram o português como idioma oficial.

José Augusto Cardoso Bernardes

Comissário Geral das Comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões